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domingo, 8 de junho de 2008

O Circo

O circo é o retrato mais fiel de uma democracia.
Lá convivem os animais que inventaram o circo e os que lá nasceram e foram expostos e obrigados a viver.
Viver conforme as leis de uma outra selva.
Porque verdadeiramente todos animais sabem quando não pertencem ao local onde estão e os instintos primitivos lhes gritam aos ouvidos que devem fugir.
Mas os donos do circo sabem como anestesiar a euforia da fuga.
E os animais refletem ... continua...

Que diferença faz o pescoço da girafa ser comprido?

Para a estrutura da medula espinhal, curiosamente, nada – é o que afirma a equipe do neurocientista sul-africano Paul Manger em artigo publicado na revistaNeuroscience em 2007. O fato de o pescoço desses animais de mais de uma tonelada chegar a dois metros de comprimento fez os cientistas indagarem se a natureza teria implementado alterações na estrutura da medula espinhal e mesmo do cérebro, para tornar possível que as fibras dos neurônios motores do córtex cerebral chegassem a seus alvos especialmente distantes na medula. Três girafas e duzentos litros de formol depois, os pesquisadores constataram que o córtex motor da girafa e sua medula espinhal têm estrutura semelhante à de outros ungulados, como cavalos e zebras. Não fazer diferença ter dois metros de pescoço, no entanto, pode ser uma peculiaridade desses animais, já que neles, os neurônios do córtex motor se estendem somente até os ombros, controlando apenas os membros anteriores. Mesmo na girafa, isso dá uma distância que ainda pode ser razoável em termos funcionais. Em humanos, por exemplo, os neurônios do córtex motor que controlam os dedos dos pés possuem fibras que percorrem quase um metro, até a porção inferior da medula espinhal – uma longa distância apesar do pescoço mínimo. SHH
Fonte: Badlangana NL et al. Observations on the giraffe central nervous system related to the corticospinal tract, motor cort ex and spinal cord: what difference does a long neck make? Neurosci 148, 522-534 (2007)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Breve ensaio sobre não enjoar de si mesmo

Já acordou com a sensação de ter sido roubado? Roubado na melhor parte do seu sonho. No momento de maior êxtase, o ápice do prazer que justifica sonhar, é então interrompido. A frustação de não encontrar no mundo real o pedacinho de prazer que lhe foi roubado no mundo dos sonhos. Houvesse meios de dominar os sonhos e os espelhos, certamente esta seria a arte das artes. E o que mais é a arte senão sonho? Você se deseja e em sonho se torna deus de si mesmo em um simples sopro. Roubado então do prazer de ser deus de si e dos outros, você acorda. Roubada a glória de ser você mesmo enquanto lê. Quem está lendo é você? Esta palavra de cinco letras que foge de seus lábios é o melhor elogio que me dedicaria ou é uma maneira de dizer que lhe sou um igual? L-o-u-c-o, roubado e quem sabe a origem da poeira que traz nos pés. Roubado do direito de ser compreendido. Roubado do direito de não ser um em bilhões. Esta é a imagem que deseja sempre ao acordar ou enjoou-se?

 
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