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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Breve ensaio sobre não enjoar de si mesmo

Já acordou com a sensação de ter sido roubado? Roubado na melhor parte do seu sonho. No momento de maior êxtase, o ápice do prazer que justifica sonhar, é então interrompido. A frustação de não encontrar no mundo real o pedacinho de prazer que lhe foi roubado no mundo dos sonhos. Houvesse meios de dominar os sonhos e os espelhos, certamente esta seria a arte das artes. E o que mais é a arte senão sonho? Você se deseja e em sonho se torna deus de si mesmo em um simples sopro. Roubado então do prazer de ser deus de si e dos outros, você acorda. Roubada a glória de ser você mesmo enquanto lê. Quem está lendo é você? Esta palavra de cinco letras que foge de seus lábios é o melhor elogio que me dedicaria ou é uma maneira de dizer que lhe sou um igual? L-o-u-c-o, roubado e quem sabe a origem da poeira que traz nos pés. Roubado do direito de ser compreendido. Roubado do direito de não ser um em bilhões. Esta é a imagem que deseja sempre ao acordar ou enjoou-se?

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